
A Santa Missa é uma refeição? É uma festa?
Na sua essência mesma, a Missa não é uma refeição; nem uma refeição incluindo um sacrifício; mas simplesmente um Sacrifício.
A Santa Comunhão, que se pode, no limite, chamar de refeição, é um fruto desse Sacrifício; mas não pertence à sua essência.
O que diz o Magistério da Igreja sobre o tema?
O Concílio de Trento afirma, claramente, que a Missa é um Sacrifício. Nunca diz que seria também uma refeição.
A tese, segundo a qual a Santa Missa, em sua natureza essencial, seria, ao mesmo tempo, um Sacrifício e uma refeição, foi, explicitamente, condenada por Pio XII:
“Afastam-se, pois, do caminho da Verdade, aqueles que somente querem realizar o Santo Sacrifício quando o povo cristão se aproxima da Santa Mesa.
E, afastam-se ainda mais aqueles que, pretendendo que é absolutamente necessário que os fiéis comunguem com o sacerdote, afirmam, perigosamente, que não se trata apenas de um Sacrifício; mas sim de um Sacrifício e de uma refeição de comunidade fraterna, fazendo da Comunhão realizada em comum o ponto culminante de toda a cerimônia.
É preciso, ainda mais uma vez, ressaltar que o Sacrifício eucarístico consiste, essencialmente, na imolação incruenta da Divina Vítima; imolação que é misticamente indicada pela separação das santas espécies e por sua oblação feita ao Eterno Pai.
A Santa Comunhão assegura-lhe a integridade, e tem por finalidade, nela, fazer participar sacramentalmente; porém, enquanto que é absolutamente necessária da parte do ministro sacrificador, é somente vivamente recomendável aos fiéis.” [261]
Como se pode ver, na prática, que a Missa não é, essencialmente, uma refeição?
A Igreja mandou participar, todos os domingos, no Sacrifício da Missa; mas nunca obrigou os fiéis à Comunhão dominical.
Se a Santa Missa fosse, essencialmente, uma refeição, os fiéis presentes deveriam todos comungar; pois aquele que assiste a uma refeição sem comer nada, nesta não tomou parte!!!
Pode-se, pois, participar, realmente, do Sacrifício da Missa, sem comungar?
Sim, pode-se participar muito realmente do Sacrifício da Missa sem comungar (mesmo se, evidentemente, a comunhão faz com que se participe muito mais).
O Concílio de Trento precisou:
“Se alguém disser que as Missas em que só o sacerdote comunga são ilícitas e devem ser abolidas; seja anátema!” [262]
Há outras provas de que a Missa não é, essencialmente, uma refeição?
O rito da Missa todo inteiro mostra que a Missa não é, essencialmente, uma refeição. Que refeição bem singular seria essa em que depois de longas cerimônias, acaba-se por receber um alimento tão pequeno!
Se a Missa fosse uma refeição, seriam aqueles que a querem organizar sob a forma de um verdadeiro almoço que teriam razão.
Quem ensina que a Missa é, ao mesmo tempo, um Sacrifício e uma refeição?
É hoje uma teoria difundida por numerosos teólogos “católicos” que a Missa é uma refeição, no curso da qual um Sacrifício se realiza. Seria, então, – dizem eles – antes uma refeição; mas que compreenderia também um Sacrifício, porque Cristo se dá a nós em alimento. É este dom que Cristo faz de si mesmo em uma refeição que daria à Missa seu caráter sacrifical.
Mas isso não tem nada a ver com a Teologia Católica, pois a realidade foi completamente deformada. O Sacrifício consiste em um oferecimento feito a Deus, e não aos homens.
Sobre a Cruz, Cristo Se ofereceu a Seu Pai, e não a nós. Se essa nova teoria fosse verdadeira, o Sacrifício da Missa seria oferecido a nós, e não a Deus.
Onde se podem achar essas novas teorias sobre a natureza da Missa?
Essa teoria é sustentada, por exemplo, na Declaração comum da Comissão Mista católico-luterana, que trabalhou de 1976 a 1982.
Quais são os católicos que participaram dessa Comissão?
Dentre os católicos membros dessa Comissão, podem-se citar, entre outros, os futuros Cardeais Karl Lehmann e Walter Kasper, e os Cardeais Hermann Volk e Joseph Ratzinger.
O que diz a Declaração católico-luterana?
A Declaração católico-luterana afirma:
“O sinal sensível do oferecimento de Jesus Cristo na celebração da Eucaristia e o da nossa incorporação neste Sacrifício é (...) a refeição (...). Isso significa que, na realização desta refeição, o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo é tornado presente e realizado. É por isso que a distinção tradicional, que somente se tornou habitual depois do Concílio de Trento, segundo a qual se distingue, na Eucaristia, de um lado o Sacramento, e de outro, o Sacrifício; não pode ser retida pela Teologia, pois ela falsifica sua estrutura fundamental. É no fato de se oferecer em alimento que o Sacrifício de Jesus Cristo encontra sua expressão em nível litúrgico.” [263]
O que se pode dizer desse ensinamento?
Trata-se, verdadeiramente, de um ensinamento novo, que implica a rejeição da teologia tradicional. Deve ser, pois, firmemente recusado.
Notas:
[261] Pio XII, Encíclica Mediator Dei, 20 de novembro de 1947.
[262] DS 1758.
[263] Lehmann Schlink, Des Opfer Jesu Christi und seine Gegenwart in der Kirche, Herder, 1983, p.223.
Catecismo Católico da Crise na Igreja. Pe. Mathias Gaudron.
Notas da imagem:
Missa sacrílega com crianças ao redor do altar, nos Estados Unidos. É também necessário tomar cuidado com algumas letras de músicas para crianças, que podem confundir o correto entendimento sobre o que é a missa, como por exemplo as seguintes letras:
"A Santa Missa vai começar [...] pra celebrar a festa maior. Batendo palmas, vamos sorrir. Quem é de Deus [...]"
"Esta é a refeição que Jesus nos preparou. Venham todos [...] participar da ceia do Amor. Nesta mesa somos irmãos [...] Vida nova para a Igreja construindo fraternidade."
"Isso é comunhão, Jesus é refeição, Jesus é salvação [...]"
O próprio Papa João XXIII, apesar de seus erros, disse que na missa não é para bater palmas e nem gritar:
"Estou muito satisfeito por estar aqui. Mas eu devo exprimir-lhes um desejo: que na igreja não gritem e não batam palmas, nem mesmo para saudar o Papa, porque Templum Dei Templum Dei (o templo de Deus é o templo de Deus). Agora, se vocês estão felizes em encontrar-me nesta bela igreja, imagine como o Papa não está feliz em ver seus filhos! Mas assim que ele vê seus filhos, eles batem as mãos na frente de sua face. E esse que está diante de vocês é o sucessor de São Pedro!” (Papa João XXIII; 1963, Ostia, IV Domingo da Quaresma)
Perguntaram ao Santo Padre Pio uma vez:
"Qual é o problema de bater palmas na Santa Missa?"
São Padre Pio respondeu:
"É verdade... No Calvário também havia a quem aplaudia a morte de Cristo, soldados e demônios".
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