
São João Damasceno, Doutor da Igreja
(† 754)
Natural de Damasco, na Síria, era João filho de pais nobres e ricos, célebres por causa da grande caridade, que praticavam para com os pobres, encarcerados e eremitas. Entre os presos resgatados achava-se também um sábio sacerdote da Calábria, de nome Cosmas, que instruía o pequeno João nas ciências profanas e divinas.
O pai de João gozava de grande estima entre os Sarracenos, que naquela época eram senhores do país. Esta estima estendia-se também ao filho. Os raros talentos e merecimentos deste fizeram com que o Califa o distinguisse com sua confiança e o nomeasse prefeito (mansur) de Damasco. Esta circunstância aproveitou muito aos cristãos. Que mais poderia faltar para completar a felicidade de João? Este, porém, não se sentia bem na elevada posição. A palavra do Salvador, que é muito difícil a um rico entrar no reino dos céus, não o deixava sossegado. Tomou uma resolução, que ninguém esperava. Renunciou a todas as honras, distribuiu toda a fortuna entre os pobres e institutos de caráter religioso, e entrou para o convento de S. Sabas, em Jerusalém.
O mestre da Ordem, um venerável ancião, deu-lhe as seguintes diretivas: "Não procures fazer nunca a tua vontade. Aprende a morrer a ti mesmo para chegar a um completo desapego de todas as criaturas. Oferece a Deus tuas ações, sofrimentos e orações. Não te ensoberbeças em virtude dos teus conhecimentos ou de qualquer outra coisa, mas convence-te cada vez mais de que não és nada senão ignorância e fraqueza. Renuncia à vaidade; desconfia da tua própria opinião e não queiras desejar aparições e privilégios extraordinários do céu. Afasta da tua memória tudo que te ligou ao mundo. Observa bem o silêncio e fica sabendo, que é fácil evitar o pecado, não falando, senão o bem". João observou fielmente todos estes conselhos e, dentro de pouco tempo, era considerado, entre os companheiros de religião, o mais perfeito. As virtudes que mais o adornavam, eram a humildade e obediência. Do mestre recebeu um dia ordem de levar uns cestos ao mercado de Damasco e vendê-los por um preço muito alto. Para João significava isso uma humilhação muito grande; ele, ex-prefeito da cidade, apresentar-se no mercado, a expor à venda uns cestos, por um preço ridiculamente exorbitante! João obedeceu. Não teria vendido os cestos, se um dos parentes não os tivesse comprado pelo preço indicado, só para o livrar de uma situação penosa.
Em atenção às suas virtudes, foi promovido ao sacerdócio. Movido de um zelo extraordinário, pôs a pena ao serviço da defesa da causa da Religião Católica. O imperador Leão Isauro tinha publicado leis muito severas contra o culto das imagens. O movimento iconoclasta tinha tomado grande incremento no império.
João escreveu três livros sobre o culto das imagens. Baseava a argumentação no dogma da infalibilidade da Igreja. "Não venerais o monte Calvário, a pedra do Santo Sepulcro, os livros do santo Lenho e os vasos sagrados? Que dúvida, pois, tendes em venerar as imagens dos Santos?" Ao imperador fez lembrar não ser de sua competência escrever sobre assuntos religiosos..." Ao monarca compete o governo do estado: nenhum direito, porém, lhe assiste de imiscuir-se em assuntos meramente religiosos". Seu biógrafo, o patriarca João, conta que na luta iconoclasta fora-lhe decepada a mão direita, que em seguida, por intercessão de Maria Santíssima, outra vez se ligou ao braço mutilado. João não se limitou à defesa pela palavra escrita. Percorreu a Palestina toda, para animar os fiéis e confortá-los na fé. Tomou parte no 2º Concílio de Nicéia, São João Damasceno, o mais brilhante teólogo oriental, morreu no ano de 754 em Jerusalém. Leão XIII conferiu-lhe o título de Doutor da Igreja.
Reflexões
S. João Damasceno foi um valente defensor das imagens sacras. Os hereges dos nossos dias impugnam o culto das santas imagens qualificando-o de idolatria, que perpetuamos. Os católicos não adoram nenhuma imagem santa, mas veneram-nas. Eis os motivos por que as colocamos em nossos oratórios, em nossas Igrejas e Capelas:
1. As imagens são objetos de instrução religiosa.
2. Lembramo-nos das pessoas dos Santos por elas representadas e das virtudes que estes praticaram.
3. Incitam-nos a imitar-lhes o exemplo, as virtudes, a santidade.
Os inimigos do culto das imagens santas não se opõem geralmente à exposição de quadros livres e obscenos, e toleram estátuas indecentes nos jardins públicos e nas fachadas dos palácios. Os inimigos do culto das imagens são conhecidamente propagandistas do mau cinema, onde são exibidas as imagens mais vergonhosas. As santas imagens edificam, fazem bem à alma. Imagens impudicas corrompem e pervertem. "Um pai de família" – disse S. Carlos Borromeu por ocasião de um sínodo diocesano – "deve retirar de sua casa tudo que não concorda com os costumes de uma família cristã; imagens feias e obscenas têm só um destino: o fogo" etc. É melhor que queimem essas imagens, do que almas imortais por elas desvirtuadas virem um dia a sofrer as penas do fogo do inferno.
Santos, cuja memória é celebrada hoje
No 2º século o martírio de Santa Lídia com seu marido, o senador Fleto e seus filhos Macedo e Teoprepides.
Na Pérsia os santos mártires Zanitas, Lázaro, Marotas e Narses, com mais cinco companheiros, que morreram pela fé, quando Xapur era imperador da Pérsia.
Referência: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.
Comemoração: 27 de março.
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